Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo
Nasceu em 23 de maio de 1863, em Juazeiro do Norte, Ce.
Filha de Antônio da Silva Araújo e Ana Josefa do Sacramento.
Mulata, baixa e franzina, apesar de analfabeta tinha boa educação e aprendia com facilidade.
Oriunda de família pobre teve infância difícil, comum no nordeste.
Começou a trabalhar, ainda criança, em uma olaria fabricando tijolos e telhas.
Perdeu os pais muito cedo, e foi acolhida para morar na casa do Padre Cícero.
Dotada de habilidade manual, abandonou o trabalho na olaria e passou a dedicar-se ao artesanato fabricando bonecas de pano, que a todos encantavam.
A pedido do Padre Cícero passou a ensinar o artesanato a outras meninas da paróquia.
Muito católica, frequentava a igreja diariamente.
Após um retiro espiritual ministrado pelo Padre Cícero e pelo Padre Vicente Alencar, passou a usar as veste de beata, a partir de 1885 quando tinha 22 anos de idade.
Foi sempre tratada com especial atenção pelo Padre Cícero, a quem retribuiu com uma dedicação e gratidão incomuns.
Quando o padre Cícero morreu, foi a beata que providenciou todos os tramites do sepultamento, mando fazer uma sepultura na Capela do Socorro, onde até hoje reepousam os restos mortais do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, Ce.
O chamado milagre da hóstia, foi quem projetou a Beata para a história.
Em 1° de Março de 1889, durante a comunhão, ao receber a Hóstia Consagrada das mãos do Padre Cícero, a mesma transformou-se em sangue vivo.
Imediatamente o Padre mandou chamar vários médicos para examinarem o fato.
Este fenomeno inesplicável, se repetiu por diversas vezes no período de dois anos.
Em algumas vezes, a hóstia assumia a forma de um coração.
No corpo da beata apareciam feridas, sem causa aparente e, que desapareciam sem que fosse aplicado nenhum tipo de medicamento.
Exames médicos apuraram que Maria Araújo sofria de incômodos estomacais, tendo chegado a vomitar sangue uma vez.
Um dos médicos encarregados de examina-la, atestou em documento, lavrado em cartório, não ter encontrado sinais de úlcera ou qualquer outro tipo de ferimento em sua boca, lábios ou língua.
Alguns médicos levantaram a hipótese de que ela era hemofílica e que sofria de epilepsia.
Não existem documentos que atestem estes pareceres.
Como é padrão em casos de anúncios de milagres, a Igreja Católica instituiu uma Comissão de Inquérito Canônico, tendo como investigador o Bispo Dom Joaquim Vieira, juntamente com os Padres Francisco Ferreira Antero e Glicério da Costa.
Esta comissão concluiu que tudo não passou de supertição e ofensa gravíssima à Santíssima Eucaristia.
Para o Padre Cícero, outros clérigos, e para o historiador e professor José Marrocos, o acontecido era uma manifestação divina e portando era um milagre.
O historiador e Padre Antônio Gomes Araújo, declarou que o suposto milagre não passava de uma farsa, que utilizava produtos químicos, e que o embuste fora comandado pelo Professor José Marrocos com a cumplicidade da Beata Maria Araújo.
Recentemente estudos feitos por parapsicólogos concluem que tudo não passou de uma combinação da imaginação emotiva do psiquismo da beata, influindo sobre seu organismo.
Durante o inquérito oficial da igreja, o Médico Júlio César da Fonsêca, defendeu a beata declarando que era um caso de histerismo, entendendo assim, que não era simulação nem impostura.
A Igreja Católica aproveitou a polêmica, para punir o Padre Cícero, suspendendo-lhe os direitos sacerdotais, punição que permaneceu até sua morte.
Para alguns historiadores esta punição tinha mais a ver com a militância política do Padre Cícero do que com o chamado milagre do Juazeiro.
A Beata Maria Araújo, faleceu* em Juazeiro do Norte, Ce, no dia 17 de janeiro de 1914.
*Por ordem do Bispo da Diocese do Crato, o túmulo da beata, na Capela do Socorro, foi aberto ilegalmente em 22 de outubro de 1930.
O túmulo foi destruído e os restos mortais da beata Maria Araújo sepultados em local até hoje ignorado.
Credita-se este ato, às questões que envolviam o Padre Cícero com a Igreja Católica.