ORIGEM E EVOLUÇÃO DE FORTALEZA
A 1ª tentativa de colonizar o Ceará aconteceu em 1604, quando a Expedição de Pero Coelho de Sousa estabeleceu o primeiro núcleo de povoamento na Barra do Ceará.
Como o plano não deu resultados, em 1612 Martim Soares Moreno, que havia participado da 1ª Expedição, retorna ao Ceará no comando da 2ª Expedição iniciando a Colonização definitiva, é então o Colonizador do Ceará.
Nesse período até o domínio definitivo da Capitania pelos portugueses, houve conflito com os holandeses os quais se fixaram e permaneceram na Região ocupada pelos portugueses, por algum tempo.
- 6 de maio de 1649
Desembarca no Mucuripe uma Expedição comandada pelo holandes Matias Beck, vinda de Recife, composta por 3 iates um barco e 298 pessoas entre soldados, marinheiros, negros e índios do Siará, com o objetivo de explorar minério na serra de ltarema, contraforte da de Maranguape.
- 10 de abril
Foi escolhido um novo local e iniciada a construção do Forte Shoonenborch sobre a colina Marajatiba – Rincão das Palmeiras – à margem esquerda do Riacho Pajeú – na época Marajaig – servindo de reduto militar e entreposto comercial.
Na Barra do Ceará havia algum material em ruínas no antigo Forte São Sebastião construído em 1612 por Martim Soares o qual havia sido ocupado pelos holandeses entre 1637 e 1645.
O material, telha, madeira e canhões, foi trazido para as novas instalações.
- 4 de Maio de 1654
Uma expedição comandada pelo capitão-mor Alvares de Azevedo Barreto, após a expulsão dos holandeses do Brasil, toma pose das instalações do Forte e da Capitania, passando definitivamente para o domínio dos portugueses.
O nome do Forte foi mudado para o atual do qual se originou o nome da Cidade.
Evolução Política
- 1649 a 1726
Formação da vila que inicialmente ficou subordinada ao Maranhão e após 1665 passa a pertencer a Pernambuco.
Nesse período as decisões políticas e administrativas ficaram a cargo dos Capitães-Mores.
- 13 de Janeiro de 1699
Criação da Vila do Ceará.
- 25 de Janeiro de 1700
Eleição da ia Câmara Municipal em lguape.
- 20 de abril de 1701
A Vila foi transferida para a Aldeia Velha, Barra do Ceará.
- 1706
A Vila é transferida para junto da Fortaleza, retornando para a Barra no mesmo ano.
- 1708
A Vila retorna para junto da Fortaleza.
- 1711
O Rei de Portugal manda instalar a Vila em Aquiraz o que acontece em 27 de junho de 1713
- 13 de Abril de 1726
é criada a Vila de Fortaleza instalada pelo Capitão – Mor Manuel Francês onde passa ser a sede administrativa da Capitainia.
- 1799
A vila torna-se independente de Pernambuco.
- 17 de Março de 1823
A vila foi elevada a cidade com o nome de Fortaleza de Nova Bragança.
Fortaleza ao longo de sua existência lutou para conseguir sua hegemonia política e econômica o que veio conseguir a partir da 2ª metade do século XIX.
Como centro do poder político, militar e religioso participou de conflitos armados, internos e externos, e promoveu a cultura do seu povo fazendo com que o Ceará fosse destaque nacional e internacional.
EVOLUÇÃO ECONÔMICA
No início da colonização Martim Soares organizou um sistema de produção usando equipamentos no aproveitamento dos recursos materiais existentes, engenhos e casas de farinha foram instaladas.
- Criação de animais
em torno do Forte São Sebastião – caprinos, bovinos e equinos.
- Lavouras
mandioca (fabricação de farinha), cana-de-açúcar (fabricação de rapadura), milho, feijão, e côco da Bahia.
- Extrativismo
o caju, planta nativa, era uma importante fonte de extração vegetal.
No mar as balsas se transformaram em jangadas inicialmente produzidas por marceneiros vindos de Pernambuco.
Caça e pesca com redes e armadilhas.
- Ferragens
eram importadas e aqui produzidas todas as ferramentas.
- Telhas e tijolos
importados, os produzidos aqui eram de péssima qualidade.
- Madeira
carnaubeira fornecia madeiramento e cobertura das casas. Outros tipos de madeiras eram utilizados na fabricação de moendas, carros- de-boi, embarcações, portas…
Fortaleza como Vila exerceu as funções de defesa e centro administrativo da Capitania com influência restrita às áreas adjacentes.
OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO
- Litoral
expedições militares empreendidas pelos portugueses e os holandeses, missões Jesuíticas que reuniram os grupos indígenas nas vilas, facilitando a ocupação do interior pelos fazendeiros.
- Interior
excursões pecuárias de Pernambuco ocuparam o sertão de dentro e da Bahia ocuparam o sertão de fora.
- 1678
inicia-se a concessão de Sesmarias.
A ocupação ocorreu mediante a posse das terras indígenas através de conflitos armados culminando com o massacre e escravidão das populações indígenas.
No século XVIII o interior já estava ocupado por latifúndios, fazendas, povoados e vilas. Na região do Caríri a Vila de Jardim e Crato.
No sertão, Vila de Icó.
No Litoral Leste a Vila de Aracati.
Na Região Norte Sobral, Camocim e Acaraú são os principais centros regionais.
Principais produtos econômicos
- criação do gado que era exportado para Pernambuco e Bahia.
produção do couro e carne de charque exportados por Aracatí e Acaraú.
- algodão
principal produto de exportação no final do século XVIII, era comercializado com Recife através do Rio Jaguaribe pelo Porto de Aracatí. No século XIX as exportações passaram aos poucos a serem feitas diretamente com a Europa – Portugal e Inglaterra.
DATAS SIGNIFICATIVAS
- 1806
é estabelecida a ia linha de Vapor para Portugal.
- 1809
Barba Alardo cria o comércio direto com o Reino – Portugal e Inglaterra
Londres recebe o Navio Galera Dois Irmãos com produtos cearenses com mostra do nosso algodão.
- 1811
é estabelecida a 1ª casa de comércio direto com a Europa – Irlandês Wiliam Wara.
- 1850
iniciadas as exportações por Fortaleza, principal entreposto comercial do Ceará e já se transformava numa das principais cidades do Brasil pelas transformações urbanas, culturais e econômicas pelas quais vinha passando.
Fortaleza teve sua base econômica montada sobre o comércio.
Com a produção algodoeira surgem as primeiras industrias têxteis no final do século XIX.
A fábrica foi a Fábrica Progresso inaugurada em 1883.
Na pecuária surgiram alguns curtumes e pequenas industrias de artigos de couro.
A produção do tabaco foi aproveitada com a instalação de fábricas de cigarros.
O aproveitamento de oleoginosos vegetais se deu com a instalação da Brasil Oiticica, por Carlito Pamplona.
A Metalurgia teve origem com a Fundição Cearense, criada por estrangeiros e adquirida por cearenses.
No início do século XX surge a mentalidade industrialista provocada pela 1ª Guerra Mundial.
No final da 2ª Guerra já havia uma atividade industrial bastante intensa, utilizando grupos geradores de energia.
Na 2ª metade do século XX a política industrial do Governo Federal prejudicou a industria cearense, obrigando-a a modernizar-se e enfrentar a concorrência com a industria do Sudeste, ocorrendo o colapso da nossa industria.
A Hidrelétrica do São Francisco, O Banco do Nordeste e a SUDENE, assinalam o início da industrialização no Nordeste.
No Estado o Governo cria o Distrito Industrial e incentivos para atrair investidores do Sul do Brasil.
FORTALEZA HOJE
É um grande centro consumidor e intermediador entre produtos da área e do exterior, comercializa e exporta bens serviços e matérias primas para o resto do pais e exterior.
Municípios da Região Metropolitana
- Caucaia, Maranguape e Pacatuba – superpõem-se – lavoura de produtos alimentícios e fruticultura, a criação de gado leiteiro formando a bacia leiteira de Fortaleza; a pequena produção dá lugar à grande lavoura.
Municípios da parte Sul
- atividade agrícola, prestação de serviços e indústrias.
Municípios do Litoral
- produção do pescado (Caucaia está incluído), industria do turismo e produção artesanal.
Nos últimos anos Fortaleza e a Região Metropolitana vêm recebendo várias indústrias principalmente do exterior e Sudeste e Sul do Brasil, incentivadas pela política do atual Governo cearense.
Mais detalhes podem ser encontrados no livro Caminhando Por Fortaleza de autoria do escritor cearense Francisco Benedito de Sousa.
O Livro pode ser adquirido na Livraria do Centro Cultural Dragão do Mar, nas Bancas de Revistas na Praça do Ferreira ou diretamente do autor através do telefone: (85) 493-2518.
